Sunday, October 08, 2006

O Rei do Blues e velhas lembranças



É muito comum associarmos passagens de nossa vida a músicas que nos fizeram a cabeça em determinadas épocas. Comigo não é diferente. Pelo contrário: essa ligação é muito forte, e vai além da mera lembrança de uma canção específica – isso passa por livros, filmes e fotos também, mas isso é outra história; o papo aqui é música, mais especificamente blues. Pensando bem, o assunto vai além da música.

Pois eis que estou ouvindo BB King agora e uma avalanche de boas recordações monta uma espécie de longa-metragem desordenado em minha cabeça.

Sweet Sixteen, The Thrill Is Gone, Caledonia, Guess Who.

Ouvir blues me remonta a um tempo bom. Tempo em que participava de rádio comunitária, estudava gaita, ia quase toda semana a shows de blues e jazz em São Paulo. Os ecos do Mississipi e de New Orleans – sim, o jazz também, porque, afetiva e racionalmente, não vejo como separar pai e filho – acompanharam muitas das descobertas da vida: amorosas, profissionais, intelectuais, enfim, das relações humanas em toda a sua extensão.

Meu companheiro de audições bluseiras e jazzísticas era – e continua a ser – o Du Rocablu, também conhecido nas cercanias como Du Lima. Gaitista instintivo e talentoso, com ele aprendi a deixar o som da diatônica – a gaitinha que todos conhecem – correr solto na veia e no coração. Não, não aprendi a tocar bulhufas. Na verdade, sempre fui uma enganação. Mas tocar – ou tentar fazê-lo – e, principalmente, apreciar uma bela música embalada numa gaita me apresentou um outro lado da vida: mais alegre, embora com doses de melancolia em cada bend; poeticamente boêmio, sincero na maneira de sentir a vida.

E o BB King nessa história? Ele talvez seja o maior símbolo desse período intenso de minha vida, assim como certamente o é para milhares de pessoas.

* Dá última vez que ele veio ao Brasil, em 2004, não perdi tempo e comprei o ingresso logo no primeiro dia de venda. Fui sozinho ao show. E veja como são as coisas: estou marcando bobeira por ainda não ter comprado as entradas para o show que ele vai fazer aqui em São Paulo em dezembro. Muito dinheiro, preço exorbitante? Realmente é salgado. Mas quer saber? Vou agora ao Via Funchal comprar os ingressos. Sim, “ingressos”, no plural, porque desta vez terei companhia: minha mulher, Alê, cuja sensibilidade é imensa, vai adorar ver o Rei do Blues. Darei a ela um presente com sabor de blues.

Ai minha fatura do cartão de crédito...


Já que estamos falando no velhinho, aí vai. Com Eric Clapton e Phil Collins. The Thrill is gone.


1 comment:

Alê said...

Sei que não é de "bom tom" fazer rasgação de seda em blog de respeito, como sei que é o seu. Mas como todos sabem que meu amor por você é escancarado mesmo: adorei a surpresa e será maravilhoso assistir o show do BB king ao seu lado. Ouvir a música produzida por esse homem é lavar alma com a poesia intensa do blues.