Wednesday, January 03, 2007

Baú de guardados

De vez em quando reviro meu baú de guardados. Rabiscos antigos, palavras e mais palavras: espelhos de épocas que se foram. Servem-me como uma bússola voltada para o passado, o que, paradoxalmente, me ajuda a compreender como sou hoje: o que me formou, como me construí, quais são meus alicerces.

É desse baú que vem o texto abaixo, que escrevi por volta do ano 2000. Na época, sentia a necessidade de refletir sobre as transformações pelas quais todos passamos nas diferentes etapas de nossa vida, mais especificamente na adolescência. O que fica do que primeiros sonhos, da experiência libertadora de descobrir o mundo pelos próprios passos?

Ao olhar para trás,percebo que é natural do ser humano construir filtros para selecionar o que ficará no passado e o que o acompanhará pelas inúmeras jornadas da vida. O importante é ter consciência desse filtro, para tirarmos o melhor proveito dessa experiência. E um dos grandes desafios desse processo é preservar a alegria de viver, o prazer de descobrir o mundo e, apesar de todos os percalços, continuar a ter sonhos. São eles que nos movem; são eles que nos humanizam.



Talvez um dia renegue a todos os ideais que me fizeram a cabeça aos quinze anos ou até aqueles nos quais nunca acreditei de verdade, mas que os vivi intensamente, e que por isso mesmo se tornaram tão verdadeiros que de fato acreditei neles como sendo minha única razão de viver. Talvez. Mas meu coração se assombra com essa visão e por isso se reveste com um escudo de flores.

Talvez assista a um filme e imagine o que faria se estivesse na pele do personagem.
Talvez pergunte o que faria se me fundisse com as telas na busca de um sonho inatingível, surrealista, e que justamente por esses motivos me criassem uma realidade tão comovente e reveladora.

Talvez me perca em delírios e não chegue a lugar algum.
Talvez vença o medo de ousar por caminhos desconhecidos e até me embriague com o frescor de uma certa nostalgia do futuro.

Talvez ultrapasse o limite da insensatez. Talvez veja a cara da morte, uma morte tão solene quanto imbatível. E tão bela quanto eficaz. Talvez acorde e perceba que nem todos somos felizes. (Clayton, ano 2000)

3 comments:

Anonymous said...

dá o cu pra ele!

Anonymous said...

preservar a alegria deviver... como se faz isso mesmo?

Clayton said...

É difícil responder, caro amigo Guto, a essa pergunta. Mas o que na vida é fácil? Temos de criar as nossas soluções. Abração