Algumas notas preciosas penetram até as vísceras
“Um homem com uma dor é muito mais elegante”. Que dor é essa? Que elegância amargada é essa que compõe nossa mínima parte? Nossa íntima sofreguidão, nosso dilaceramento contínuo?
É a dor, e nada mais. Dor que apenas se sente. Mas também podemos carregá-la como se portássemos uma medalha. É a nossa digna resposta à inexorável crueza da vida.
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Thursday, April 19, 2007
Tuesday, April 03, 2007
O meu começo
Com o rock me descobri gente. Sedento, ansioso por viver, rasgando convenções. Um sopro de rebeldia, e a poesia corria no sangue. Fervia – não sabia o que era mas gostava. E vivi, corri, pulei, chorei. Ri demais. Ainda hoje relembro com saudades as primeiras bandas, os primeiros sonhos, as primeiras angústias e alegrias da vida.
Friday, February 23, 2007
Banda que toca dentro do computador

O jornalista Tiago Dória postou em seu blog um videoclipe para lá de interessante. É da banda The Chalets, com a música Feel the Machine. O clipe tem a sacada legal de colocar a banda num ambiente de computador, como se os músicos estivessem enjaulados na tela do micro.
É metalinguagem digital, é a desconstrução de Derrida aplicada ao ciberespaço.
Ao mesmo em que só tem compromisso com a diversão, a banda brinca com a linguagem e a empurra para além das fronteiras com as quais nos acostumados a lidar.
E, não esquecendo o aspecto musical, um comentário: li no blog Orange Lazaru's que o The Chalets parece um B-52s moderno. Pois não é que acho que o distinto blogueiro tem razão?
Veja o clipe.
Saturday, February 17, 2007
Você era Emilinha ou Marlene?
Um achado: Roberto Carlos e Caetano Veloso cantando a belíssima Como dois e dois, de Caetano, em um especial do Rei para a TV, em 1975.
O vídeo é intercalado por um bate-papo em que até as Rainhas do Rádio são relembradas.
O vídeo é intercalado por um bate-papo em que até as Rainhas do Rádio são relembradas.
Wednesday, February 14, 2007
Em tempos de mediocridade e vale-tudo no show business, é bom trazer para o centro do palco uma banda como o Midnight Oil. Fundada em 1976 na Austrália, seu rock and roll simples e potente reverberava uma voz política que, quando bem articulada, sempre fez bem ao universo pop. Isso sem falar no fato de que o grupo abordava a questão ambiental muito antes de o tema virar motivo de apreensão mundial - nadavam contra a corrente do mainstream. Ainda me lembro muito bem dos bolachões da banda que comprava na Galeria do Rock, aqui em São Paulo (Diesel and Dust, por exemplo, me remete a um tempo agradável da vida, repleto de descobertas e sonhos de mudar o mundo). O som do grandalhão careca Peter Garrett e companhia me acompanhou durante toda a adolescência. É bom ouvi-los novamente.
Visite o site oficial da banda e também de Peter Garrett
Blue Sky Mine
Visite o site oficial da banda e também de Peter Garrett
Blue Sky Mine
Wednesday, January 31, 2007
Police de volta?

Saudosos da banda inglesa, uma boa notícia: o grupo, que se formou na década de 70 e se separou em 1986 – vai se reunir para um show em fevereiro, no dia 11, para abrir a 49a edição do Grammy (clique aqui para saber mais).
Trata-se apenas de uma apresentação, mas foi o que bastou para surgirem especulações sobre a possível volta definitiva aos palcos da banda composta por Sting, Stewart Copeland e Andy Summer. Dizem até que eles estariam planejando uma turnê pelos EUA e Inglaterra neste ano.
A banda nega que vá retornar de vez à labuta, mas nunca se sabe...
Pode ser nostalgia, mas bem que gostaria de vê-los na ativa novamente.
Saturday, January 27, 2007
Túnel do tempo
Pérola: Língua de Trapo tocando, no Festival dos Festivais, da Globo, o "hit" "Os Metaleiros também amam". A música ficou entre as 12 finalistas do festival. Era 1985, mesmo ano em que foi realizado o Rock in Rio e o heavy metal andava em voga.
Sensacional.
Para ver outro post sobre Língua de Trapo, clique aqui
Sensacional.
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Monday, January 08, 2007
60 anos de David Bowie

8 de janeiro de 1947. Nascia no bairro de Brixton, em Londres, David Robert Jones, que a partir de 1967 lançaria seu primeiro compacto e depois viraria o rock de ponta cabeça. David Bowie, o homem de múltiplos personagens. O precursor do glitter. O Starman. O adorável lunático de Space Oddity, canção inspirada em 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick. 60 anos – vida longa ao criador de Ziggy Stardust.
Thursday, January 04, 2007
A fúria melódica de Nick Cave

As I sat by sadly by her side, de Nick Cave, é uma de minhas “músicas de cabeceira” há alguns anos. Para ser mais preciso, desde que comprei o disco No More Shall We Part, em 2001, mesmo ano de lançamento do CD desse excelente músico australiano que morou em São Paulo durante um certo tempo lá pelos idos dos anos 80 e começo dos 90. Canção melódica, melancólica, poeticamente triste mesmo: arrebatou meus ouvidos e coração de imediato. O disco todo é bom, aliás: destaques para And no more shall we part, Hallelujah, Oh My Lord e Love Letter.
Músico que gosta de abordar temas como Deus, religião, a morte e a devoção, Nick Cave nasceu em 1957 na cidade Warracknabeal. Uma de suas primeiras bandas, criada no começo dos anos 80, foi The Birthday Party, que se estabeleceu em Londres. Algumas perambulações mais tarde, Cave monta, com Mick Harvey, colega do The Birthday Party, a banda The Bad Seeds, em 1984, na ativa até hoje.
O primeiro clipe disponível aqui é o de As I sat by sadly by her side. A dose dupla musical, composta pelo vídeo de Do you love me?, do disco Let Love In, vale por ter São Paulo como cenário – ou melhor dizendo, algum inferninho da metrópole que não dorme nunca.
As I Sat by sadly by her side
Do you love me?
Friday, December 29, 2006
Saudades de Cássia Eller
No dia 29 de dezembro de 2001, eu estava em Jericoacoara, no Ceará. Foi quando anoiteceu que a informação sobre a morte de Cássia Eller se espalhou pela praia, que em breve teria uma festa, com shows de bandas locais. É quase impossível descrever como ficou o ambiente assim que os cochichos sobre a morte corriam de boca em boca.Dessa experiência nasceu a crônica abaixo, redigida dias depois de Cássia ter ido cantar em outras paragens.
Blues para Cássia Eller
A notícia se espalhou como um manto que se estende sobre o abismo. As pessoas bebiam, fumavam, trocavam idéias sobre os desencontros e belezas da vida. O som rolando. A lua cheia.O bar em plena praia abria as portas quando veio a notícia. Jericoacoara. Pessoas em busca de vida, de uma madrugada de luz, de um sorriso entorpecido submerso na alegria.
Então a notícia veio até mim baixinho, quase um sussurro, uma mentira de fim de ano. Mas não era. “Ela morreu”, e de súbito revirei os escombros de minha vida. Me lembrei da adolescência. Das baladas em bares ou casas de amigos. Ela sempre estava lá. Por isso não podia ter partido - mas tinha.
A noite adentrava. No telão um show gravado. A face severa, os braços deslizando sobre o violão, por vezes o sorriso de uma garotinha. Os olhos da multidão tragados pela tela. Com a imagem ao fundo, uma banda entoou suas canções. Cada peito ali, aflito, se apertava e o reflexo do brilho nos olhos tornava o cenário um mosaico de secretas sensações.
Tive vontade de chorar. E chorei, de mansinho. Era noite de lua cheia. Uma noite em que caminhei até o mar, embebido na escuridão, e lá fiquei até que escutasse um gemido rouco partindo das ondas e se perdendo entre as estrelas.
Monday, December 18, 2006
Videoclipe de Abujamra em carreira solo
Já que André Abujamra entrou na pauta (veja post anterior), selecionei um videoclipe da carreira solo do músico. A faixa se chama Essa música não existe e está no CD O infinito de pé (Spin Music). Esse trabalhou foi feito logo após o “fim” do Karnak, anunciado pelo próprio líder da banda em 2002.
É uma pena não ter nada do YouTube do excelente Mulheres Negras, formado em 1985 por Abujamra e Maurício Pereira.
Thursday, December 14, 2006
Miles Davis e John Coltrane

A partir de meados da década de 1950, o trompetista Miles Davis – ícone do cool jazz, jazz-rock e da fusion – montou um quinteto que marcou a história do jazz. Um dos destaques do conjunto era John Coltrane, um dos maiores saxofonistas de todos os tempos. O grupo passou por várias formações – teve uma fase como sexteto. Entre os músicos que por lá tocaram estão os pianistas Bil Evans e Red Garland, o baterista Jimmy Cobbs e o contrabaixista Paul Chambers.
Entre os discos gravados pelo quinteto/sexteto de Miles Davis estão Cookin’, Relaxin’, Milestones e Kind of Blue, um dos mais cultuados da história do jazz.
Depois de deixar o grupo de Miles, Coltrane lidera um quarteto que se propõe a ousadas experimentações sonoras. Alguns críticos, aliás, classificam o saxofonista como um dos precursores do free jazz.
Miles não fica atrás. No fim da década de 1960, ele mergulha numa viagem estética que vai dar na fusão entre jazz e rock, o que arrepia os cabelos dos defensores da tradição jazzística. E estava muito bem acompanhado nessa aventura: tocavam com ele os tecladistas Herbie Hancock e Chick Corea, os contrabaixistas Dave Holand e Ron Carter e o saxofonista Wayne Shoter, só para citar alguns.
O vídeo abaixo apresenta Miles, Jonh Coltrane e cia tocando So What, presente em Kind of Blue.
Monday, December 04, 2006
Tarde Beatles: Revolution e Lucy in the sky with diamonds
Foi só visitar o site com material sobre Beatles (leia post anterior) que não resisti: busquei um vídeo de Revolution e Lucy in the sky.
Revolution
Lucy in the sky with diamonds
Revolution
Lucy in the sky with diamonds
Site traz vídeos do Beatles

O embaixador de São Caetano, Roberto Perrone, indica ao PONTO DE FUGA um ótimo site com dezenas de vídeo dos Beatles. Traz também discografia, filmografia, letras e biografias etc. Duro é entender o que está escrito lá - com exceção das letras, que estão em inglês.
Só tenha cuidado para não ficar se empolgar vendo os vídeos e esquecer de trabalhar.
Clique aqui para ir ao site
Se quiser ir direto para a página com os vídeos, clique aqui
Friday, November 24, 2006
A gaita frenética de Rod Piazza
Overdose de blues

Hoje o dia é de blues - pelo menos aqui no Ponto de Fuga. Selecionei dois vídeos - coloco um agora, o outro virá no próximo post.
O primeiro é da banda curitibana Mister Jack. Criada nos anos 90, já rodou o Brasil e se consolidou como figurinha carimbada na cena blues brasileira. Tive a oportunidade de assistir a alguns shows deles aqui em São Paulo anos atrás, principalmente quando tinha aulas com o grande professor Ulysses Cazallas (em outra oportunidade escreverei sobre esse amigo e amante da gaita cromática). Ulysses foi um dos "professores", digamos assim, do Benê (Benevides Chiréia Júnior), o titular da gaita do Mister Jack - o Benê também mantém um projeto paralelo muito bom chamado Trupe da Gaita.
No vídeo abaixo, a banda toca Little Bitty Pretty One - Rockin Robin, do excelente Rod Piazza, gaitista californiano, um dos principais nomes da gaita na atualidade.
Sunday, November 12, 2006
Faça bem aos seus ouvidos: ouça Leslie Feist

Estamos acostumados com amor à primeira vista. Pois neste final de semana fui alvo de amor à primeira audição. Conheci, por meio do Bitácora, blog do meu amigo João Paulo ( dá uma olhadinha ali do lado direito, na lista de blogs), o som da canadense Leslie Feist.

Delicada, mas nada adocicada; leve, sem a busca do apelo fácil. Melodia para acalmar os ouvidos, a alma e fazer a gente flutuar. Navegando pelas praias indies, de namoro com o folk - há até quem diga que com a bossa nova, não por conta da música que selecionei neste post, claro -, Feist conquista pela doçura poética de sua voz e nos convida para uma viagem de última hora, desencanada e despretensiosa, que encanta pelo que esconde e seduz pelo que finge não ser.
Agora, fique com o videoclipe da música Mushaboom.
Saiba mais no site.
Friday, November 10, 2006
Curso superior de rock and roll
Meu amigo Fábio Barbará repassa uma notícia interessante. A Unisinos, do Rio Grande do Sul, abriu um curso superior de rock. É isso mesmo que você leu. É o curso superior de Formação Específica de Produtores e Músicos de Rock.
O coordenador do curso é Frank Jorge, do Graforréia Xilarmônica, banda gaúcha fundada nos anos 80 – ele também foi do Cascavelletes.
O texto abaixo, preparado pela universidade, traz mais detalhes. Para quem quiser saber mais, acesse o site.
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O som profissional
Unisinos lança Curso Superior de Formação Específica de Produtores e Músicos de Rock
Texto: Danielle Titton
“Pai, quero ser músico”. Essa frase promete nunca mais incomodar famílias preocupadas em ver o filho seguir uma trilha profissional que não passa pela universidade. A Unisinos acabou de criar a solução para quem sempre quiser seguir carreira mas sentia falta de uma base educacional e um pouco de motivação para enfrentar o competitivo mundo musical. O nome é comprido, mas a moral é bem simples: curso superior de Formação Específica de Produtores e Músicos de Rock.
A modalidade está disponível no vestibular de verão, que ocorre em 2/12. Com duração de dois anos e meio, e 40 vagas disponíveis, o curso tem por objetivo formar um profissional completo: um misto de instrumentalista, compositor e arranjador, mas que também saiba operar softwares de áudio, produzir discos, fazer críticas musicais e dialogar com os meios de comunicação. Não é só aprender a tocar. O negócio é ser um músico capaz de gerenciar sua carreira.
Para que tudo isso seja colocado em prática, o projeto político-pedagógico caprichou no conteúdo. Os alunos irão trabalhar em quatro módulos – Construção de Referências Musicais, Identidade Musical e Elaboração de Repertório, Produção Musical e Preparação da Carreira - que variam de acordo com a necessidade e característica de cada tema.
Um dos grandes diferenciais da formação é a preparação do aluno para trabalhar com a questão autoral. Durante o módulo Identidade Musical e Elaboração de Repertório, o estudante terá noções de marketing, legislação, história do rock e desenvolvimento da carreira musical. “É importante que, cada vez mais, os músicos façam as escolhas certas na carreira. É ruim chegar em uma rádio, num programa de TV e falar um monte de abobrinha. E é isso que faz desse curso algo totalmente fora do tradicional, que mostra uma mudança no papel do músico”, disse Frank Jorge, professor e um dos idealizadores da proposta.
A formação fechou parcerias com estúdios como o Plus (São Leopoldo) e o Music Box (Porto Alegre), além de gravadoras como a Trama (São Paulo), a Senhor F. Discos (BSB) e a Plus Records (São Leopoldo). O apoio também virá das lojas Multisom, dos bares Opinião e Ocidente (Porto Alegre) e do Café do Bordo (São Leopoldo) e de inúmeros veículos de comunicação.
O coordenador do curso é Frank Jorge, do Graforréia Xilarmônica, banda gaúcha fundada nos anos 80 – ele também foi do Cascavelletes.
O texto abaixo, preparado pela universidade, traz mais detalhes. Para quem quiser saber mais, acesse o site.
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O som profissional
Unisinos lança Curso Superior de Formação Específica de Produtores e Músicos de Rock
Texto: Danielle Titton
“Pai, quero ser músico”. Essa frase promete nunca mais incomodar famílias preocupadas em ver o filho seguir uma trilha profissional que não passa pela universidade. A Unisinos acabou de criar a solução para quem sempre quiser seguir carreira mas sentia falta de uma base educacional e um pouco de motivação para enfrentar o competitivo mundo musical. O nome é comprido, mas a moral é bem simples: curso superior de Formação Específica de Produtores e Músicos de Rock.
A modalidade está disponível no vestibular de verão, que ocorre em 2/12. Com duração de dois anos e meio, e 40 vagas disponíveis, o curso tem por objetivo formar um profissional completo: um misto de instrumentalista, compositor e arranjador, mas que também saiba operar softwares de áudio, produzir discos, fazer críticas musicais e dialogar com os meios de comunicação. Não é só aprender a tocar. O negócio é ser um músico capaz de gerenciar sua carreira.
Para que tudo isso seja colocado em prática, o projeto político-pedagógico caprichou no conteúdo. Os alunos irão trabalhar em quatro módulos – Construção de Referências Musicais, Identidade Musical e Elaboração de Repertório, Produção Musical e Preparação da Carreira - que variam de acordo com a necessidade e característica de cada tema.
Um dos grandes diferenciais da formação é a preparação do aluno para trabalhar com a questão autoral. Durante o módulo Identidade Musical e Elaboração de Repertório, o estudante terá noções de marketing, legislação, história do rock e desenvolvimento da carreira musical. “É importante que, cada vez mais, os músicos façam as escolhas certas na carreira. É ruim chegar em uma rádio, num programa de TV e falar um monte de abobrinha. E é isso que faz desse curso algo totalmente fora do tradicional, que mostra uma mudança no papel do músico”, disse Frank Jorge, professor e um dos idealizadores da proposta.
A formação fechou parcerias com estúdios como o Plus (São Leopoldo) e o Music Box (Porto Alegre), além de gravadoras como a Trama (São Paulo), a Senhor F. Discos (BSB) e a Plus Records (São Leopoldo). O apoio também virá das lojas Multisom, dos bares Opinião e Ocidente (Porto Alegre) e do Café do Bordo (São Leopoldo) e de inúmeros veículos de comunicação.
Wednesday, November 08, 2006
Mombojó: caos, poesia e futuro

Curto-circuito sonoro, poesia para domesticar o caos; inquietude. Canções que explicam e confundem, como Tom Zé. Homem-espuma, nadadenovo – não acreditem nisso: desse baú poético-lunático-musical os experimentos apontam para o futuro. Tudo é novo e ao mesmo já visto. Del Rey. Liquidificador, afrociberdelia, som de graça na internet, samplers, som de pista, rock alucinado. Mangue Beat deglutido.
Mombojó é tudo isso – e muito mais.
Quem quiser baixar os dois CDs da banda, basta acessar o site
Veja o videoclipe de Deixe-se acreditar, do CD Nadadenovo, o primeiro da banda pernambucana ( o segundo é o Homem-espuma)
Agora veja o de Cabidela, também do Nadadenovo
Monday, October 23, 2006
O Danç-êh-sá de Tom Zé

Sem palavras, mas com muitos discursos. Com gemidos e grunhidos, mas também com berros e murros em ponta de faca. Uma atitude – sonora, existencial, de palco – que implode idéias pré-fabricadas e ergue no lugar um monumento ao caos. A purificação da mediocridade.
É assim que soa aos meus ouvidos Danç-êh-sá – Dança dos Herdeiros de um Sacrifício, novo disco de Tom Zé, lançado de forma independente. Com esse trabalho, fica claro que, nas mãos desse artista baiano, até um panfleto se transforma em fina poesia – desconstrução para uma nova ebulição. Derrida?
Saí do show de Tom Zé no sábado – acabou de estrear a turnê, no Sesc Pinheiros, em São Paulo – extasiado e perplexo: como pode um músico soar tão original quando tudo parece já ter sido inventado, mastigado, copiado? Como pode ser capaz de estar à frente no tempo sendo, paradoxalmente, tão atual e antenado com nossos dias? Não sei, continuo aturdido com as pancadas sonoro-existenciais de Tom Zé. Afinal, ele explica para confundir, como escreve no livro Tropicalista – Lenta Luta (Publifolha), lançado concomitantemente ao disco.
É o próprio Tom Zé diz quem Danç-êh-sá é um disco sem palavras, mas com inúmeros discursos. Nasce da estupefação dele com os resultados de uma pesquisa da MTV que constata que os jovens de hoje não estão preocupados com o bem comum, a solidariedade, projetos coletivos, uma sociedade melhor, nada – assumem-se hedonistas, consumistas e egoístas. Por isso fez um disco cujas músicas não têm letra, assim “como acontece com a internet”, diz no show, não exatamente com essas palavras.
Embora a inexista o verbo no novo CD, as (des)canções de Tom Zé são petardos, quem sabe para ver se a juventude se sacode e sai do imobilismo. Como caminho para mudar esse cenário desalentador, ele propõe uma reflexão a partir de nossas raízes africanas, que forjaram a alma do povo brasileiro.
A esperança numa postura diferente por parte da juventude perante o mundo fica clara no encarte do CD: “... corro para a juventude com este cd cantado sem palavras. Aposto que a resposta dos jovens na pesquisa é provisória e berra um grito de socorro na cara dos formadores de opinião. Provisória, porque logo os antropólogos, jornalistas e cineastas se mobilizarão, concorrendo para que o ‘coração de estudante’ se engaje no projeto otimista que é ser o Negro que somos, herdeiros do sacrifício de várias nações africanas, cujo sangue depurou a arte e a religião de 3 Américas: vejam-se o samba e a Tropicália; ou o soul, o hip hop e o reggae.”
Embalados por uma miscelânea sonora que encanta e embaralha os ouvidos (vulcão movido a samplers, pick-ups, sanfonas e ritmos africanos), Tom Zé dispara mísseis contra o cheiro de podridão na política brasileira; o sabor do amargo do desencanto; a hipocrisia brega dos corredores da Daslu. Faz tudo isso com as vozes digitalizadas da era da “Globarbarização” – o termo veio dele, no show –, sem se esquecer do megafone. É o poder da linguagem à flor da pele
Ainda bem que temos Tom Zé.
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