Acabo de ler Espinosa – Uma filosofia da liberdade, de Marilena Chauí (Editora Moderna). Fiquei impressionado com a capacidade desse pensador holandês de origem judaica de ser de ser odiado pelo status quo da ocasião. Ele foi capaz de despertar, no século XVII, a ira da Igreja e da própria comunidade judaica, que o considerou herege. Entende-se: árduo defensor da liberdade de pensamento e de expressão, colocou-se contra a tirania teológico-religiosa e defendia a idéia, conforme escreve a professora Marilena, de que a “democracia é o mais natural dos regimes políticos” porque realiza nosso direito natural pelo qual todos os homens “desejam governar e não serem governados”.
Baruch de Espinosa dizia, em Tratado Teológico-político, que a Bíblia não tinha como objetivo apresentar uma teoria sobre a verdadeira essência de Deus. Na verdade, buscava tão somente “oferecer à imaginação dos devotos um conjunto muito simples de crenças religiosas e morais, necessários aos que não aspiram ao conhecimento racional e filosófico de verdade”, escreve Chauí.
Ainda estou digerindo a pancada que são as idéias de Espinosa – aos poucos, em doses homeopáticas, que é para não entrar em curto-circuito. Em todo caso, reproduzo aqui um trecho de Espinosa – uma filosofia da liberdade que me chamou particular atenção, dado o fato de vivermos o apogeu da sociedade de consumo e seus reflexos mais dramáticos, entre eles, o empobrecimento das relações humanas. Lá vai:
“No Tratado da correção do intelecto, Espinosa parte da experiência individual e intersubjetiva como experiência trágica: o sentimento de perder um bem desejado cada vez que se imagina tê-lo alcançado. Essa fuga interminável de bens que se consomem e nos consomem divide os homens e os aliena porque imaginam a felicidade depositada em coisas que precisam ser possuídas com exclusividade.
Essa perda incessante torna impossível não só a realização do desejo de felicidade, mas também a liberdade, lançando os homens numa guerra sem freios pela posse dos objetos nos quais investiram sua esperança. Eis por que Espinosa dirá que a felicidade e a infelicidade dependem da qualidade do ser ao qual nos unimos por amor, porque há entre o desejar e o desejado um vínculo intrínseco.
Amando coisas perecíveis e cuja posse exclui os demais, a felicidade será perecível e ameaçada pelo desejo de outrem. A felicidade é desejar um Bem imperecível que, sendo capaz de ‘comunicar-se igualmente a todos’ e de por todos ser compartilhado, permite o exercício da liberdade.
Espinosa não duvida da existência desse Bem como não duvida de que possamos alcançá-o. O Tratado visa oferecer à inteligência os recursos para chegar ao bem verdadeiro. Com isso, Espinosa articula internamente o desejo da felicidade, da liberdade e da verdade.”
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Tuesday, November 14, 2006
Monday, October 30, 2006
Palavras de Cioran
"A vida só é tolerável pelo grau de mistificação que se coloca nela" (Cioran)

Fazendo coro ao que diz Nietzsche (veja o post "Temos a Arte para que a Verdade não nos destrua", publicado aqui dias atrás), Emil Michel Cioran também nos ajuda a refletir sobre o papel do indizível, daquilo que não se traduz verbalmente, daquilo que escapa ao real.

Fazendo coro ao que diz Nietzsche (veja o post "Temos a Arte para que a Verdade não nos destrua", publicado aqui dias atrás), Emil Michel Cioran também nos ajuda a refletir sobre o papel do indizível, daquilo que não se traduz verbalmente, daquilo que escapa ao real.
Wednesday, October 18, 2006
Tuesday, October 17, 2006
Curso de filosofia com Marilena Chauí
Quem gosta de filosofia, prepare-se. A professora Marilena Chauí, livre-docente da USP, vai ministrar o curso “ A instituição da política em Espinosa”. No programa, questões como medo, esperança, guerra e paz; sujeito social, sujeito político: os conflitos. As aulas serão realizadas nos dias 10, 17 e 24 de novembro, das 20h às 22h, na editora Bregantini (Praça Santo Agostinho, nº 70, 10° andar - Paraíso, São Paulo). O valor é R$ 240 – sai por R$ 190 para professores e estudantes. As inscrições podem ser feitas por meio do site da Revista Cult .
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