Thursday, May 31, 2007

Ponto de Fuga em novo endereço

Clique para conhecer: http://www.pontodefuga.jor.br

Fazer mudança em pleno frio não é tarefa fácil. Mas mesmo assim tomei coragem e levei o Ponto de Fuga para uma casa nova.
Nem precisa nem se preocupar porque é pertinho daqui.

Basta digitar alguns quarteirões e você estará no novo PONTO DE FUGA.

E veja como são as coisas: blog não dá dinheiro, mas mesmo assim arrumei uns trocados para sair da república (blogspot) para uma casa própria (Wordpress). Subi de vida, ascensão digital.

Espero você lá!

Thursday, April 19, 2007

Dor Elegante, de Itamar Assumpção e Paulo Leminski

Algumas notas preciosas penetram até as vísceras

“Um homem com uma dor é muito mais elegante”. Que dor é essa? Que elegância amargada é essa que compõe nossa mínima parte? Nossa íntima sofreguidão, nosso dilaceramento contínuo?

É a dor, e nada mais. Dor que apenas se sente. Mas também podemos carregá-la como se portássemos uma medalha. É a nossa digna resposta à inexorável crueza da vida.

Tuesday, April 17, 2007

Conversas sobre jornalismo, meio digital etc e tal


No último sábado, participei de um evento anual promovido pelo Colégio Porto Seguro, aqui de São Paulo. Chamado de Fórum de Profissões, o encontro reuniu profissionais de diversas áreas. O objetivo era que, ao contarem um pouco de sua experiência nas respectivas carreiras, os convidados ajudassem os alunos – principalmente os do ensino médio – a conhecer um pouco melhor cada profissão. Afinal, muitos deles estão em vias de prestar o vestibular.
Na mesa em que participei também estavam o Chico Pinheiro e a Carla Vilhena, da Rede Globo; Eliseu Lopes, coordenador do departamento de cinema da FAAP; e Edson Gardin, coordenador do curso de Rádio e TV da mesma faculdade.

Já é o segundo ano em que participo desse encontro e mais uma vez gostei muito. É um prazer falar sobre jornalismo e trocar experiências com a garotada. E como o painel do qual participei era bem diversificado – com profissionais de áreas distintas, embora afins–, creio que o bate-papo tenha sido proveitoso para os alunos. Foi possível dar uma visão mais abrangente da comunicação.

A Carla Vilhena,por exemplo, falou de como começou sua carreira no Rio de Janeiro, já em TV, ao passo em que o Chico Pinheiro preferiu falar de maneira mais ampla sobre o jornalismo: a preocupação com o bem comum, a necessidade de o jornalista ter um olhar aguçado para as pessoas e a realidade social, e por aí vai. Percebi que o objetivo dele era cutucar a turma, mostrar que a técnica é o de menos. O que vale é o perfeito entendimento do papel do jornalista e a paixão por exercer a profissão. O Edson, que se lembrou de mim dos tempos de TV Gazeta - quando eu era estagiário e nem trabalhava diretamente com ele, na década de 90 (haja memória!)-, abordou o impacto da TV Digital. Já o Eliseu falou que, se o objetivo é ganhar dinheiro, é melhor pensar duas vezes antes de fazer cinema. Mas se a idéia for seguir o coração, então vá fundo porque o cinema e maravilhoso e fará você feliz. Concordo com ele.


Aproveitei a ocasião para falar um pouco das coisas que me inquietam atualmente, como a profunda transformação na comunicação, especialmente pelo avanço do digital. Estamos em tempos de convergência de mídias, o que muda bruscamente o modo como de produção e de distribuição de conteúdo.

Comentei que pensar no velho paradigma do jornalista de veículo impresso, de rádio ou TV perde sentido no mundo que está se desenhando diante de nossos olhos. Mais: a própria divisão por áreas estanques (você é jornalista, você é arquiteto, você é engenheiro e cada macaco que fique no seu galho) também não pode ser levada tão a ferro e fogo. O mundo do trabalho mudou, as coisas começam a se misturar e o processo de comunicação hoje requisita competências que se complementam.

Em parte isso se deve ao fato de que, com a web 2.0 e o conteúdo colaborativo, alguém que detenha um bom conhecimento de um determinado assunto, domine minimamente as ferramentas tecnológicas e saque o que as pessoas desejam, pode perfeitamente ser um produtor de conteúdo e ganhar dinheiro com isso.Tudo bem, são poucos os que hoje vivem de um projeto empreendedor na área digital, mas a tendência é que esse movimento ganhe corpo.


Duas entrevistas que fiz recentemente para a revista Meio Digital, do Meio & Mensagem (o link só é possível para a edição do ano passado, mediante cadastro no site), me ajudaram a avançar no entendimento desssas questões. Uma delas foi com um professor da PUC, Rogério da Costa (autor do livro A Cultura Digital, editado pela Publifolha). Ele teceu uma análise instigante sobre os efeitos da internet móvel ( o estímulo aos smart mobs de que fala Howard Rheingold). Falarei melhor sobre isso posteriormente.

Por hora, destaco o seguinte: segundo ele, na era digital, o jornalista pode passar a ser a de um orientador de redes sociais,ou seja, aquele que pode conduzir as comunidades no emaranhado digital. Já o professor Walter Lima, da pós da Cásper Líbero– que também entrevistei para o Meio Digital – alerta para a necessidade de o jornalista dominar as interfaces tecnológicas, para ter mais condições de criar produtos (revistas eletrônicas, produtos multimídias etc) inovadores.

Isso aqui dá assunto para mais de metro, principalmente porque estou lendo e vasculhando o tema. Para encerrar: disse para a garotada que o blog e o podcasting que eles fazem, a página do Orkut que mantém, os torpedos que enviam toda hora, a TV digital que em breve chegará à casa deles, tudo isso é matéria para o jornalismo. Quem deseja ingressar na área não pode ficar alheio. E quem está nela muito menos, embora seja comum notar uma grande resistência a essas mudanças em muitos que prestaram o vestibular de jornalismo muitas primaveras atrás.

Fantástico esse comercial do Fusca

A narração é uma maravilha. Tudo é uma maravilha. Dá-lhe Fuscão!

Ao buscar o filme no YouTube, reparei que há outros comerciais antigos do velho Volks. Deve ter sido a mesma pessoa que postou numa leva só, vai saber? Para encontrar, basta digitar "comercial Fusca".

Enbriague-se com o Fuca-bala da Polícia paulista.

Friday, April 13, 2007

Carta ao Senhor Ladrão

Singelo pedido feito por algum cidadão em algum lugar do Brasil. Vale a menção honrosa para a observação, no pé da faixa.

Monday, April 09, 2007

Sob o impacto de Antonioni


Rascunho emocionado depois de ver A Noite e A Aventura

Em Antonioni, o espectador se vê diante das paixões arrefecidas, do esvaziamento das relações. A modernidade líquida a moldar os sentidos; sorrateira. Uma metáfora para o vazio existencial: a câmera nos leva ao nosso mais profundo abismo, ao baú de tormentos, e nos revela a dimensão da angústia escondida na curva dos olhares.

E tem ostentação, aparências, interstícios amorosos: estamos n’A Noite. Jeanne Moreau, Mastroianni e Monica Vitti. E então vem A Aventura , com rochas, mares e um novo despertar. Um universo de futilidades, incertezas e o reencontro da paixão – em Monica Vitti. Sim, iremos para onde ela quiser nos levar; sem máscaras, sem medo de amar.

Thursday, April 05, 2007

Adesivo de carro

Estava lá, apologético, pouco acima do escapamento:

"Seja vegetariano e evite um desastre cósmico"

Tuesday, April 03, 2007

O meu começo

Com o rock me descobri gente. Sedento, ansioso por viver, rasgando convenções. Um sopro de rebeldia, e a poesia corria no sangue. Fervia – não sabia o que era mas gostava. E vivi, corri, pulei, chorei. Ri demais. Ainda hoje relembro com saudades as primeiras bandas, os primeiros sonhos, as primeiras angústias e alegrias da vida.

Wednesday, March 28, 2007

Um testemunho amoroso

A peça O Homem Provisório, sobre a qual comentei na postagem anterior (dá uma abaixadinha na tela para você ler) não me emociona apenas pela sua riqueza artística. Paralelamente, há também um componente emocional muito forte que me liga ao espetáculo – e isso não influencia no que penso a respeito da qualidade da obra, de resto digna de reconhecimento: a Alê, minha amada, é produtora da peça ao lado Guto, um grande amigo que já faz parte da lista dos mais queridos.

Como é gratificante ver, depois de meses, o árduo trabalho dessa dupla gerar um belo fruto, junto com os demais amigos do grupo Casa Laboratório. Fico feliz de ver como o contato com a arte deixa minha Alê realizada, feliz, embora cansada da maratona que é levar um espetáculo teatral desse porte aos palcos. É como se todo o estresse inerente a um projeto intenso, que buscou o tempo inteiro o melhor, se transformasse num sorriso gostoso depois do batismo de fogo.

Alê, meu amor, siga em frente nesse caminho bonito que você está construindo, com brilho e talento. Estarei ao seu lado, com a companhia de Riobaldo e Diadorim!

O espetáculo O Homem Provisório

Há uma angústia em suspenso: temos um homem em conflito, deslocado no tempo e no espaço, embebido em veredas. Há trotes, galopes e a transcendência do amor. E o ódio, a maldade, mas também a doçura escondida no seio do cangaço – a crueza da fé.

O universo do sertão numa caixa preta – nossa Pandora de pedra, suor e amargura–, a tremular sua secura num cenário metafísico, que nos transporta para dimensões refletidas em nosso abismo espiritual: ora observa-se do lado de fora, ora mergulha-se num noitão sem-fim, e o Coisa Ruim que não tira os zóio de Riobaldo! Diadorim?! É o Grande Sertão:Veredas no Homem Provisório. É Riobaldo, somos nós: jagunços de corações partidos, provisórios, finitos. Seres consagrados pela materialidade da desgraça.

E temos Glauber com Rosa, Deus e o Diabo na Terra do Grande do Sertão:
a cena do ingresso do jagunço no bando de Corisco. De cortar o coração. Assim como as chibatadas de Diadorim em suas próprias costas. Talvez sejam essas as marcas que carregamos que pela eternidade, nosso Sísifo irreconciliável.

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Escrevi o texto acima motivado pela peça O Homem Provisório, dirigida por Cacá Carvalho e pela Fondazione Pontedera Teatro, com o Grupo Casa Laboratório para as Artes do Teatro. Assisti ontem à pré-estréia, no Sesc Paulista, aqui em São Paulo. A estréia será nesta sexta-feira (clique aqui para saber mais).

Inspirado em Grande Sertão: Veredas, o texto foi escrito pelo poeta Geraldo Alencar – parceiro de Patativa do Assaré –, que vive no sertão do Cariri. Espetáculo primoroso, de arrebatar o coração.

O ponto de partida e chegada é o livro de Rosa, mas não só: para resumir, vejo a peça como um diálogo com a cultura brasileira, conduzido a partir da reflexão sobre o papel da figura do jagunço na alma nacional. Com direito a Glauber Rocha, literatura de cordel, Lampião e seu bando ( e a famosa foto Cabeças Cortadas, que mostra os cangaceiros decapitados), entre outras coisas.

Sou testemunha da batalha e da intensa dedicação de todas as pessoas envolvidas na peça. São pessoas as quais aprendi não só a admirar o trabalho, mas também a intensidade e a entrega na amizade.

Parabéns a todos.

Sunday, March 25, 2007

O cinema de Eric Rohmer



A câmera discreta, sem ousadias ou enquadramentos sensacionais, acompanha diálogos e mais diálogos, longas caminhadas pelas ruas e encontros casuais (será?) que embaralham destinos. Flagra olhares que mais escondem que revelam, e a aparente trivialidade da vida cotidiana na verdade serve para encobrir o que está atrás, o que só se revela nas entrelinhas, aquela fração de humanidade a que nem sempre nós mesmos temos consciência de possuir.

Parece ser isso o que os filmes de Eric Rohmer repetidamente se põem a dizer. Pelo menos é assim que os recebo: sinto como se Rohmer quisesse mostrar para esconder, falar para não dizer. É isso o que me intriga e por isso mesmo me encanta no universo rohmeriano.

Essas questões todas me vêm martelando a cabeça neste início de ano, que está delicioso para quem gosta ou desejar conhecer o cinema de Rohmer. Tudo começou com uma retrospectiva organizada pela Cinemateca Brasileira, entre fevereiro e março, em que foram exibidos vários longas-metragens. Agora, a sobremesa é servida com a chegada às locadoras, em meados de março, dos quatros DVDs que compõem a série Contos das Quatro Estações.

Conto de Inverno
Lançamento muito bem-vindo por parte do Grupo Estação – também detentor do direito no Brasil de uma série longas-metragens de Rohmer –, porque serve para minimizar a escassez de filmes do cineasta francês por aqui. Feitos os elogios, no entanto, alguns resmungos: não há extras nos DVDs e a quantidade filmes de Rohmer no mercado brasileiro ainda é ínfima, perto do total de obras dirigidas pelo cineasta.


Mas voltemos ao que interessa.

Depois de me embebedar com tanto Rohmer, alguns traços de sua carpintaria cinematográfica me ficam mais claros. O que primeiro salta aos olhos é, como já citei, a quantidade de diálogos. Os personagens passam o filme inteiro conversando. Mas não só isso: conversam, mas quase invariavelmente o fazem enquanto se locomovem. Se não estão caminhando a pé pelas ruas de Paris ou de outras cidades francesas, os personagens – geralmente jovens e de classe média – tagarelam em carros que estão em movimento. Caso estejam sentados à mesa de um bar (e há muitos diálogos em bares ou cafés), no fundo costuma haver uma vidraça através da qual se vê a cidade, com seus transeuntes e carros em trânsito. Ainda não consegui entender muito bem qual o significado disso. Mas trata-se de um elemento importante para a composição da mise-en-scène, a ponto de me levar a dizer que o movimento é praticamente um personagem em Rohmer

Selecionei um trecho que ilustra bem esses traços. Está presente em o Conto de Verão (de 1996), que apresenta a história de um adolescente hesitante (Gaspard) que vai passar férias numa região litorânea e, enquanto aguarda a chegada da namorada, começa a se relacionar com outras duas garotas (esse aspecto psicológico também dá pano para manga, mas deixo isso para outro dia). Repare:




Outra característica marcante no filmes de Rohmer são os encontros fortuitos. Isso ocorre, por exemplo, em O Amigo da minha amiga, A mulher do Aviador ou – já que estamos falando d’Os Contos – em o Conto da Primavera e no já citado Conto de Verão.

No primeiro caso, que faz parte da série Comédias e Provérbios, uma jovem por acaso faz amizade com uma outra jovem, que por sua vez tem um namorado que é amigo de um galã que desperta a atenção das mulheres. Já em A mulher do Aviador, também da mesma série, um mal entendido provocado pela visão de um encontro é o ponto de partida para uma história de ciúmes, insegurança e incertezas relativas ao amor. Em Conto da Primavera, uma madura professora de filosofia, Jeanne, vai a uma festa e lá se torna amiga de Natasha, uma garota cujo pai namora uma mulher muito mais jovem que ele.

A Mulher do Aviador

Em comum, esses filmes têm o fato de contarem histórias extremamente simples. Mas, como diz o crítico Inácio Araújo, as histórias de Rohmer “são tão banais, mas tão banais, que nos perguntamos qual a vantagem de contá-las e, sobretudo, de ficar lá, vendo aquilo”.



A resposta, segundo o crítico, é o “benefício da dúvida”. Sim, também concordo. Rohmer capta a vida de forma sutil, e assim nos transforma em cúmplices do prazer e da dúvida.

Thursday, March 22, 2007

Que sacanagem, não?

Gostei desse comercial da Heineken, com a atriz Jennifer Aniston.
Dica do meu grande amigo Eduardo Augusto, também conhecido mundialmente como Alemão.


Tuesday, March 20, 2007

Sunday, March 18, 2007

Rapidinhas sobre a leitura



1. De Paul Valéry, citado por W.H Auden no livro A Mão do Artista:

“Só se lê aquilo que é lido com algum propósito pessoal. Pode ser até com a intenção de adquirir poder. Pode ser até mesmo com ódio ao autor”.

2. Mais sobre a leitura, agora do próprio Auden:

“Ler é traduzir, pois a experiência de cada pessoa com o texto é exclusiva. Um mau leitor é como um mau tradutor: interpreta literalmente quando deveria parafrasear, e adota a paráfrase quando deveria interpretar literalmente. Para aprendermos a ler de uma forma mais crítica, a erudição, embora bastante útil, é menos importante que o instinto; há grandes eruditos que, como tradutores, mostram-se fracos”.

3. Eis que essas pílulas sobre o ato de ler me fizeram buscar na prateleira A Aventura do Livro - do leitor ao navegador, de Roger Chartier:

“A leitura é sempre apropriação, invenção, produção de significados. Segundo a bela imagem de Michel Certeau, o leitor é um caçador que percorre terras alheias. Apreendido pela leitura, o texto não tem de modo algum – ou ao menos totalmente – o sentido que lhe atribui seu autor, seu editor ou seus comentadores. Toda história da leitura supõe,em seu princípio, esta liberdade do leitor que desloca e subverte aquilo que o livro pretende lhe impor”

4. A minha visão sobre a leitura

Ler é se aventurar numa escuridão de delícias; é atravessar o abismo sem o risco da queda. É ver-se refletido nos outros que há em nós e vice-versa; é desdobrar-se em um, nenhum e cem mil. É conhecer a si mesmo olhando de dentro do inferno.

Uma pausa, por favor

Estou trabalhando muito ultimamente, e isso explica o sumiço durante alguns dias aqui do Ponto de Fuga, que anda carente de posts novos. Muita correria para fechar edições de revistas, desenvolver projetos de novas publicações, pensar em pautas, prospecção etc.

Como se não bastasse o trabalho jornalístico propriamente dito, preciso também cuidar de aspectos administrativos da editora da qual sou sócio, a Toda Palavra. Afinal, parafraseando uma propaganda antiga (do quê mesmo?), “não basta ser empreendedor, tem de participar”.

Juro que não fiz esse preâmbulo para justificar a escassez de posts. Na verdade, foi o gancho que encontrei para falar da necessidade de, com uma certa freqüência, darmos uma paradinha no ritmo alucinante da vida cotidiana. Às vezes precisamos simplesmente não fazer nada: apenas respirar fundo e deixar o coração tranquilo.

Foi o que fiz numa noite dessas. E o fiz com música, muita música. Esparramado no tapete da sala, a janela da varanda aberta, revirei o monte de CDs. Miles Davis, Chet Baker, The Doors, Chico Buarque, Rolling Stones, Sérgio Sampaio, Lobão, Cazuza, Legião Urbana, Jonh Lee Hooker, Gal Costa. Salada sonora. Do jeito que o diabo gosta.

Pensei de tudo um pouco. Pensei, por exemplo, que em minhas veias talvez corra um barquinho, de lá para cá, de cima para baixo, procurando alguma portinha que permita desbravar um horizonte novo dentro de mim mesmo.

Fiquei horas assim.

Da janela da varanda, a noite me lambia a cara, me chamando para a vida, dizendo que, sim, que a vida vale a pena – apesar de as notícias dos jornais ultimamente nos darem todas as razões para acreditar no contrário.

Wednesday, February 28, 2007

O direito de resposta de Brizola no Jornal Nacional



Mais uma pérola vinda do YouTube, essa de caráter histórico. Encontrei no blog Pensar Enlouquece, a partir de dicas de outros internautas, o vídeo da transmissão pelo Jornal Nacional, em 1994, do direito de resposta obtido por Brizola contra a TV Globo. Na época isso gerou um bafafá danado.

É um acontecimento ver o Cid Moreira, tonitruante como convém aos mensageiros bíblicos, ler o texto em que Brizola vocifera contra o império global. O acontecimento em si já é digno de marcar época, mas o que eleva a esse episódio ao panteão dos principais momentos da mídia é o fato de a ingrata missão ter caído no colo justamente daquele que era própria imagem e semelhança da Vênus Platinada.

Vale conferir.

Tuesday, February 27, 2007

Bukowski na rede


Por um desses acasos da internet, encontrei um hot site sobre Charles Bukowski preparado pela Editora Conrad. Criado à época da divulgação do livro Charles Bukowski: vida e loucuras de um Velho Safado, biografia escrita por Howard Sounes, o espaço tem um resumo da vida do escritor, curiosidades, resenhas e uma série de links a respeito do autor.


Foi o que bastou para atiçar em mim novamente a vontade de mergulhar no universo vagabundo, boêmio e tresloucado de Bukowski.

Monday, February 26, 2007

Até que enfim


Tudo bem: Oscar é festa da indústria, é de uma breguice de dar dó, com sorrisos postiços e aquele festival de afetações. Mas esta aí, é fato. E serve como um retrato de parte importante da produção mundial.



Feitos meus resmungos, digo que torcia pela remotíssima vitória de Pequena Miss Sunshine, mas fiquei feliz pela vitória de Os Infiltrados, de Martin Scorsese. Merecido: pungente, o filme se faz no fio da navalha, abordando o limite entre a lealdade (mas que de que lealdade estamos falando e a quem?) e a tentativa de salvar o próprio pescoço; num ritmo alucinante e envolvente, Scorsese deixa o espectador sem fôlego, pronto para o abate.



Embora um bom filme, no entanto, não colocaria Os Infiltrados no mesmo nível de Taxi Driver, Touro Indomável ou Os Bons Companheiros, que não ganharam Oscar de melhor filme. Em todo caso, foi com essa obra que a Academia se rendeu a Scorsese. Já estava mais do que na hora.

Sunday, February 25, 2007

Tédio não é nosso problema


De Ferreira Gullar, no programa Retalhão, do Canal Brasil:

"De tédio o brasileiro não morre - só de susto"

Será que vai dar?

Estou na maior torcida para que essa família maluca leve o Oscar.